
O AVANÇO DOS REVESTIDOS
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A CSN investe em novas linhas de produção de aços revestidos, decidida a conquistar uma importante fatia de um mercado com enorme potencial de crescimento no Brasil.
Com uma ampla gama de possibilidades de uso na indústria e na construção civil, o mercado de aços revestidos, pré-pintados e galvanizados, está em franca expansão no Brasil. Só para se ter uma idéia do seu potencial de crescimento, nos Estados Unidos o mercado desses produtos cresceu a uma média de 10% na década passada, atingindo uma produção anual da ordem de 5 milhões de toneladas.
No Brasil, o mercado atual de pré-pintados está estimado entre 60 e 80 mil toneladas por ano.
Disposta a conquistar uma boa fatia desse mercado promissor, a CSN já investiu U$$ 325 milhões na CSN Paraná, uma unidade de laminação e revestimento, localizada em Araucária, região metropolitana de Curitiba. A capacidade anual projetada para essa unidade é de 430 mil toneladas, das quais, 330mil toneladas, das quais, 330 mil toneladas de aços galvanizados e 100 mil toneladas de pré-pintados em forma de bobinas, chapas, blanks e fitas. Os principais produtos da GSN Paraná são: o Aço Pré-Pintado CSN, o CSN Galvalume - nome comercial do aço galvanizado com uma liga de zinco e alumínio - e aço galvanizado com revestimento de zinco puro.
"Os aços previamente revestidos oferecem a vantagem de racionalizar os processos produtivos posteriores, principalmente nas linhas de produtos mais padronizados e de maior escala", explica o diretor-presidente da CSN Paraná, Wilson Carnevalli. "As principais vantagens dos pré-pintados são qualidade superior, maior resistência, simplificação da logística, eliminação de perdas, reparos, retoques, devoluções e problemas de qualidade, padronização do material, redução do número de processos e controles, entre outras".
A CSN Paraná já produz aços pré-pintados desde agosto deste ano, com capacidade de 100 mil toneladas por ano em forma de bobinas, chapas, blanks e fitas. Em outubro começou a produção de galvalume, um aço revestido com liga de alumínio e zinco até duas vezes mais resistente que os demais produtos galvanizados disponíveis no mercado. Até o fim do ano, deverão entrar em operação a linha de bobinas decapadas, com capacidade de 550 mil toneladas, das quais 220 mil toneladas estarão disponíveis para a venda e 330 mil toneladas para consumo próprio.
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A produção da CSN Paraná será prioritariamente voltada para o mercado doméstico, mas a empresa não descarta a possibilidade de atender a eventuais oportunidades no mercado externo. Com as novas linhas em pleno funcionamento, a capacidade total de produção será de 600 mil toneladas de produtos acabados, que deverão gerar um faturamento de U$$ 300 milhões por ano.
TECNOLOGIA DESENVOLVIDA A QUATRO MÃOS
A complexidade do processo de pintura prévia do aço exige um compromisso entre a usina e seus fornecedores, de modo a garantir a qualidade final do produto, estabelecida através de contratos de fornecimento previamente assinados. A tecnologia e as tintas resultam de um desenvolvimento conjunto, que costuma ser bem demorado. No caso da CSN e a Akzo Nobel, essa negociação começou junto com o início das obras de implantação da CSN Paraná, com a intenção de que os produtos já estivessem satisfatoriamente desenvolvidos quando a nova unidade começasse a produzir. "Estamos sempre procurando desenvolver novos processos e fornecer produtos que atendam às mais altas exigências tecnológicas", afirma José Manoel Sardo, diretor para a América do Sul da Akzo Nobel Tintas Industriais. "No caso da fabricação de tintas para a produção do aço pré-pintado, estamos contribuindo para, além de melhorar a qualidade do produto final, gerar redução de custos no processo de manufatura, aumentando a produtividade, na medida em que a técnica elimina o número de processos e reduz perdas, permitindo ainda uma redução do impacto ambiental".
Assim como a CSN, a Akzo Nobel também encara com otimismo o potencial de crescimento do mercado brasileiro. "As possibilidades de crescimento são imensas e a nossa planta está dimensionada para uma produção anual de produzir 110 mil toneladas de tintas, mas poderá ser ampliada através da agregação de novos módulos à unidade já instalada", explica Flávio Jaconis, gerente de Coil Coatings da Akzo Nobel. "Nossa empresa está estabelecida no Brasil há 3 décadas e vem desenvolvendo produtos para coil coating há cerca de 6 anos. Nós temos recebido os subsídios da experiência acumulada em campo, tanto pela matriz holandesa quanto por outras filiais localizadas em diversos paises". |
A produção de aços pré-pintados pela CSN Paraná, por meio do processo de coil coating - ou "pintura em bobinas" -, acompanha uma tendência generalizada de substituição dos aços pós-pintados por esse produto, em função das vantagens que oferece, entre as quais, qualidade superior, simplificação da logística, redução de custos, estética superior e reposição nas manutenções e ampliações. "O aço pré-pintado é uma matéria-prima muito versátil, com uma aceitação cada vez maior por parte da construção civil e da indústria", argumenta Carnevalli. "Na construção civil, pode ser usado na fabricação de telhas e coberturas, painéis termoacústicos e decorativos, portas e portões, eletrocalhas, estruturas metálicas leves persianas, quadros escolares, painéis elétricos e esquadrias. Na indústria, tem ampla possibilidade de uso na fabricação de automóveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, embalagens e móveis".
No caso específico da construção civil, o aço pré-pintado é a matéria-prima ideal para substituir o amianto - que está com seus dias contados no Brasil - na fabricação de telhas e painéis. Além de ser mais leve e resistente, oferece também amplas possibilidades como elemento decorativo.
Diversos tipos de resinas podem ser utilizados na pré-pintura do aço - poliéster, poliuretano, fluorcarbono, revestimentos ricos em zinco, epóxi, poliéster silicone e outros -, oferecendo uma grande variedade de cores e brilhos para atender às necessidades de cada cliente. As empresas fornecedoras das tintas desenvolveram métodos para manter o controle do filme em diversas espessuras, o que garante a reprodução precisa da cor e do brilho entre uma e outra bobina. Para reunir tantas vantagens, o aço pré-pintado exigiu o aprimoramento de uma avançada tecnologia de acabamento e pintura, desenvolvida pela CSN em parceria com as empresas fabricantes de tintas industriais, como a Akzo Nobel, PPG, Basf e Henkel.
A CSN é também a primeira empresa a produzir o galvalume no Brasil, com uma capacidade instalada de produção de até 280 mil toneladas, para atender a diferentes segmentos. Segundo Carnevalli, o CSN Galvalume é uma nova alternativa de matéria-prima de alto desempenho para os segmentos da construção civil, principalmente o mercado de coberturas, de utilidades eletrodomésticas, especialmente para fabricação de máquinas de lavar e refrigeradores, e de instalações agrícolas, especificamente silos para estocagem de grãos.
REVISTA SIDERURGIA BRASIL Nº 15 - NOVEMBRO/DEZEMBRO 2003
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