"Para que o consumidor dos Estados Unidos compre, é
preciso estar bem afinado com seus gostos.Não adianta enviar
um produto com envelhecimento europeu, que eles não vão
comprar." |
Todo fabricante de móveis já
está cansado de ouvir que é preciso conhecer bem o
destino dos produtos na hora de exportar. Porém, a maior
parte os exportadores ainda encontra dificuldades em adequar seus
procedimentos fabris e de até mesmo encontrar um bom canal
de informações sobre os países para onde quer
vender. Outra característica, que também dificulta
as vendas, principalmente para os Estados Unidos, é a generalização.
O produto exportado para a Europa, por exemplo, é bem diferente
daquele que faz o consumidor norte-americano gastar sem pensar duas
vezes. É isso que mostra Octavio Gonzales, técnico
especialista em acabamentos envelhecidos que a Akzo Nobel do Brasil
"importou" da filial americana. Gonzales já prestou
consultoria à Stanley, um dos maiores fabricantes e importadores
de móveis dos Estados Unidos. Confira o que ele tem a dizer
sobre o consumo de móveis norte-americano.
Móbile Fornecedores-
É fácil entrar no mercado norte-americano
com os produtos que fabricamos no Brasil?
Octavio Gonzales-
Para que o consumidor dos Estados Unidos compre, é realmente
preciso estar bem afinado com seus gostos.
E eles têm gostos bem peculiares. Não adianta enviar
um produto com envelhecimento europeu, que eles não vão
comprar. Então, todo acabamento do móvel deve ser
pensado para que exista esta afinidade.
Não adianta tentar algo próximo, pois vai haver rejeição.
Fornecedores-
Até o processo de fabricação precisa ser da
forma que o norte-americano quer?
Gonzales-
Sim. Por isso, o fabricante de móveis do Brasil que exporta
para os Estados Unidos deve até enviar uma prova (aquele
painel com diversos acabamentos em leque em estágios diferentes)
com todos os processos empregados, para que o importador tenha a
garantia de que o móvel foi feito exatamente da maneira pedida.
Fornecedores- Quais são as características
principais na hora de criar um acabamento envelhecido para exportar
para os Estados Unidos?
Gonzales-
Desde furos de cupins e arranhões, já conhecidos de
quem costuma exportar, até as texturas quebradiças,
manchas e outras características que dão ao mobiliário
a cara de antigo. Os procedimentos para fabricar um móvel
do jeito como norte-americano gosta, são muitos. Mas vale
a pena, pois eles são bons pagadores e têm um mercado
bastante promissor para o brasileiro.
Fornecedores-
O que difere o móvel produzido para ser vendido nos Estados
Unidos daquele que vai para os países da Europa?
Gonzales-
Quase tudo. O processo de fabricação para o móvel
destinado ao mercado norte-americano é bem mais complexo.
É preciso criar mais texturas no revestimento, dar o tratamento
correto ao acabamento e ter paciência. Muitos brasileiros
que têm mercado garantido na Europa não conseguem os
mesmos resultados nos Estados Unidos justamente por não conseguir
o envelhecimento ideal.
Fornecedores-
E, tendo trabalhado numa das maiores fábricas de móveis
do mundo, de que forma você vê as fábricas de
móveis do Brasil.
Gonzales-
Conheço mais as empresas de São Bento do Sul. As indústrias
do pólo são muito boas, têm um ótimo
know-how nas exportações e podem se adaptar tranqüilamente
ao consumidor dos Estados Unidos. O brasileiro tem ainda outras
características admiradas no exterior: criatividade e a iniciativa
para trabalhar e procurar fazer o melhor.
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