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Produto é destinado
para construção, linha branca e montadoras.
A Inovação nas tecnologias de revestimento
do processo de fabricação da CSN Paraná,
localizada em Araucária, que começará
a operar em junho, com capacidade para 560 mil toneladas/ano.
Além de produzir o galvalume, um tipo de aço
galvanizado com resistência contra a corrosão
bem superior à do zincado convencional, a processadora
se destaca pela fabricação de um produto revestido
- pré-pintado - com uma camada de tinta anticorrosiva
(coil coating), se diferenciando na oferta de matéria-prima
para a indústria da construção civil,
eletroeletrônica e automotiva.
As 560 mil toneladas anuais incluem 100 mil toneladas de
aço pré-pintado, que serão fornecidas
ao mercado sob a forma de bobinas, chapas, blanks e tiras;
200 mil toneladas de tiras decapadas e 240 mil toneladas
de galvanixados, produto revestido com uma liga contendo
aproximadamente 55% A1, 43,5% Zn e 1,5% Si. O item mais
nobre é o pré pintado, cujo principal alvo
é o mercado da construção civíl,
que começa a despertar, timidamente, para a praticidade
e economia do uso desse material.
A indústria automobilística representa um
mercado potencial, mais ainda tem dificuldades para usar
chapa pré-pintada, devido à utilização
de solda a ponto na armação das carrocerias,
além de outras questões levantadas pela área
de manufatura.Mesmo assim, as montadoras estão pesquisando
formas de aplicar este processo, seguindo a tendência
registrada nos mercados norte-americanos e europeu, onde
as chapas pré-pintadas são bastante utilizadas
em ônibus, caminhões e utilitários.
"Algumas fábricas Brasileiras já usam
uma camada de tinta básica (primer) aplicada em linhas
de pré-pintura; outras estão testando métodos
de ligação que permitam uma pré-pintura
de acabamento", observa Márcio Lins, diretor
industrial da CSN Paraná.
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Ceca
de 20% do investimento total de U$$ 325 milhões (R$
1,15 bilhão) da unidade foi destinado à divisão
de chapas pré-pintadas que, apesar de participar
com apenas 17,85% no total da produção, responderá
por 50% do faturamento previsto de U$$ 120milhões/ano,
segundo Lins.
"O mercado brasileiro já consome cerca de 50
mil toneladas por ano de pré pintadas e acreditamos
que existe espaço para absorver as outras 100 mil
toneladas anuais que vamos disponibilizar", avalia
o diretor industrial. Em termos geográficos, a empresa
pretende concentrar sua estratégia de venda nas regiões
Sul e Sudeste do Brasil, além de países da
América Latina.
Bobinas lamindas
A unidade receberá as bobinas laminadas a quente
da usina de Volta Redonda (RJ), com 500 metros de extensão,
as quais entrarão na cadeia produtiva formada por
um laminador a frio, linha de decapagem, de galvanização
e de pintura.
Na linha de pintura, o material será trabalhado
em uma velocidade média de 100 metros por minuto
e a cobertura das chapas terá uma espessura mínima
de 28 microns. As chapas mais consumidas receberão
uma camada de tinta entre 50,80 e até 200 microns.
As tintas serão aplicadas na forma líquida,
diluídas com solvente orgânico e curadas em
estufas equipadas com controle on-line de parâmetros.
O processo ocorre contiuamente, o que propicia aspecto e
características excepcionalmente uniformas, além
de amior proteção ambiental.
Teoricamente, explica o professor Neusvaldo Lira de Almeida,
do laboratório de corrosão e tratamento de
superfície do Instituto de Pesquisas Tecnológicas
(IPT), a "aplicação é feita em
processo eletrostático para fixação,
com posterior secagem a alta temperatura". Almeida
acrescenta que a resina da tinta em pó do sistema
coil coating é melhor do que a das tintas convencionais,
possibilitando maior proteção do material
contra corrosão e intempéries.
Este têm sido os príncipais motivos do forte
crescimento da indústria de pré-pintura de
aço nos países desenvolvidos, complementa
Márcio Lins. "Nos EUA, por exemplo, o mercado
cresceu a taxas superiores a 10% ao ano, no período
de 1990 a 2000", diz ele.
Foi lá, inclusive, que surgiu, na década
de 30, pouco depois do crash da Bolsa de NY, a tecnologia
da tinta coil coating, usada inicialmente na fabricação
de lâminas para persianas.
Contudo, a CSN não atuará sozinha nesse mercado.
A Tekno, de Guaratinguetá (SP), que desde 1975 representa
a única fornecedora de pré-pintado no Brasil,
abastece 70% do mercado de construção civil,
27% da linha branca (geladeiras, fogões, máquinas
de lavar etc.), 2% de persianas de 1% de autopeças,
segundo Paulo Norcia, gerente de negócios da sua
divisão de tintas Kroma.
Norcia diz que a empresa está tranquila com a chegada
de concorrentes e aposta, inclusive, na abertura de novos
nichos de mercado por meio da divulgação mais
intensa do produto, expandindo o leque de clientes.
"Temos o know-how apropriado e tropicalizado",
destaca o gerente de negócios. A Tekno acredita ter
o melhor porduto para as condições brasileiras.
Em 1985, a empresa de Guaratinguetá que adquire
o aõ de terceiros para produzir os produtos pré-pintados,
nacionalizou toda sua linha de tintas coil coating, abandonando
o fornecimento feio pela alemã Basf. Por ironia,
a decisão foi motivada pelo fato de a fornecedora
estrangeira oferecer só tecnologia de tintas para
construção civil.
A Tekno pretende manter a sua participação,
inclusive no segmento de tintas, no qual uma das competidoras
é a norte-americana Akzo Nobel,
que abastecerá mais de 50% da necessidade de coil
coating da CSN, além da Basf e da PPG que também
disputam uma fatia do negócio. Afinal, o Brasil consome
1,56 milhão de litros por ano - 70% fornecidos pela
Tekno- e quando a usina de Araucária estiver à
plena carga, em 2004, ela deverá consumir, sozinha
2 milhões de litros do produto.
A
Akzo, com sede em Columbus, Ohio, Nos EUA, investiu
U$$ 1 milhão na sua planta industrial em Guarulhoes
(Grande São Paulo). para inicar a produção
desta linha em território Brasileiro e atender o
projeto paranaense da CSN. "Estamos trabalhando numa
micragem ideal, dentro da tecnologia poliéster, a
fim de aumentar a vida útil do produto final para
dez anos,por meio de alta resistência a intempéries
e corrosão", informa o diretor superintendente
da divisão industrial finished da Akzo Nobel
no Brasil, José Manuel Sardo.
Além da Akzo, a PPG e Basf também
se tornaram parceiras ca CSN no desenvolvimento tecnológico
das tintas e serem usadas na planta de Araucária,
se comprometendo a oferecer um produto melhor do que o existente
no mercado Brasileiro. "A preocupação
fundamental é com a qualidade do produto e com o
processo de aplicação.O objetico é
oferecer a melhor proteção possível
contra intempéries e corrosão, pois a resistência
pode ser definida nas mais diversas dimensões, com
regulagem da velocidade da aplicação, de tempo
de secagem ou da energia utilizada no sistema", esclarece
Cristian Leal, gerente de vendas da área de tintas
Basf.
AS matérias-primas mais utilizadas para a fabricação
das tintas coil coating no exterior são poliéster,
poliuretanos, silicone e plastisol. "O produto utilizado
no Brasil tem predomínio de tintas à base
de poliéster e a tendência será acompanhada
pela unidade industrial paranaenser", adianta Leal,
lembrando que o empreendimento da CSN marca o retorno da
empresa alemã ao mercado Brasileiro deste tipo de
tinta, uma vez que ela deixou de aturar em 1985, depois
da nacionalização da linha da Tekno.
Ainda sobre a composição química do
produto, o diretor industrial da CSN esclareceu que, entre
as principais resinas utilizadas, destacam-se os poliésteres,
epozis e vinílicas. "Os pigmentos podem ser
orgânicos ou inorgânicos e são viáveis
inúmeros padrões de acabamento, como texturização,
aspectos metálicos, aplicação de filmes
decorativos complementares."
Márcio Lins afirmou ainda que, "devido ao preciso
controle da secagem e cura das camadas, a pré-pintura
propicia um acabamento uniforme, com excelentes características
de resistência ao risco a ataques químicos,
além de boa flexibilidade para permitir estiramentos,
curvamentos, dobramento e até estampagem de baixa
severidade". A pré-pintada contribui para o
aumento da produtividade das montadoras, pois elimina a
linha de pintura que normalmente é o gargalo da produção,
a parte mais sensível, Isso porque exige a administração
de influência de pequenas diferenças climáticas
no processo, mão-de-obra, estoques de produtos químicos,
tratamento ecológico de resíduos etc.
Mas ainda existem gargalos, segundo o engenheiro mecânico
Marcel Salzmann, do comitê de manufatura da SAE Brasil
(Society os Automotive Engineers). A coil coating é
utlizada na pintura de algumas autopeças, veículos
agrícolas e motos, mas por enquanto, não é
adequada à estamparia de material para automòveis,
devido à possibilidade de danos nas chapas durante
o processo. Com isso, diz Salzmann, a vulnerabilidade é
fator de risco diante da garantia de dois a cinco anos dada
pelas montadoras aos modelos que saem de fábrica.
Por outro lado, comlementa Paulo Norcia, como a tinta representa
apenas 2% do valor do automóvel, não se justificam
altos investimentos no aprimoramento da tecnologia de pintura.
A maior dificuldade é a borda exposta não
pintada, por onde pode começar a corrosão,
"Na fabricação de eletrodomésticos,
a solução foi encontrda por meio da dobra
zero T que a esconde", explicando o gerente de negócios
da Tekno, lembrando que a na área automotiva as chapas
estão sendo testadas. As primeiras experiências
feitas na Europa não indicaram, com segurança,
o caminho a ser seguido.
Alta tecnologia
Porém, o uso de pré-pintados racionalizará
o processo produtivo dos clientes da CSN, principalmente
nas linhas de produtos mais padronizados e de maior escala,
a julgar pelo sucesso alcançando pelos eletrodomésticos
coreanos com essa tecnologia que invadiram o mundo, segundo
o diretor da CNS Paraná. O segredo está no
aumento da competitividade, diz ele.
Transpondo o raciocínio da competitividade para
a construção civil, Cristian Leal, da Basf,
complementa que o custo do aço pré-pintado
aplicado no acabamento é muito mais baixo do que
os gastos com alvenaria. Aí estão computadas
somente as despesas com a aquisição de tijolo,
mass e cimento. Considerando-se também o custo de
mão-de-obra e o tempo de execução,
a diferença aumenta ainda mais, segundo Lela.
Não é à toa. portanto, que a CSN escolheu
a construção civil como o principal alvo de
sua estratégia comercial. "Vamos iniciar a produção
focando prioritariamente as aplicações em
que os sistemas de pintura (preparação+primer+tintas
final) são mais padronizados. As características
básicas do nosso produto serão as mesmas em
comparação à oferta disponível
no mercado, mas como vamos operar com tecnologia de última
geração, levaremos mais de 20 anos de vantagem
afirmou Márceio Lins.
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