Mercado potencial
O segmento de coil coatings no Brasil ainda está em desenvolvimento, mas é possível perceber avanços e demandas crescentes, principalmente em alguns nichos de mercado.
Na América do Sul, é possível conhecer mercados mais maduros, como Argentina, Chile e Peru, que já conhecem e usam o conceito e usam o conceito de coil coating.
O sistema coil coatings de aplicação de pintura, quando aplicado em ambiente e processo totalmente controlados, tem como resultado um produto de alta qualidade e superior até a outros processos de pós-pintura.
Como a utilização do pré-pintado, elimina-se o desengraxe do metal pré-tratamento, pintura e, conseqüentemente, suas complicações junto aos órgãos governamentais de proteção ao ambiente. Em muitas fábricas, ao se eliminar estes processos, desaparecem problemas como poluição do ar, da água e sobras (borra, solventes etc.). Como resultado, pode-se evitar multas, ações judiciais e penalidades.
Por outro lado, as indústrias que utilizam os pré-pintados otimizam sua produção quando eliminam também equipamentos relacionados direta ou indiretamente com a pintura em suas instalações, permitindo que esses espaços possam servir para o crescimento de sua produção, como por exemplo novas linhas de montagens, desaparecendo também os eventuais gargalos de pintura. Além disso, o tempo de produção pode ser totalmente voltado à montagem do produto, aumentando a produtividade.
Representantes do setor defendem ainda que a produção de custos é o item mais importante a ser levado em consideração, pois numa comparação de benefícios entre o metal pré e o pós-pintado, devem ser avaliados não só os custos aparentes como os não aparentes.
Alguns desses custos são: armazenagem, processos operacionais e trabalhistas, espaço físico, ambiente, manuseio de material e remoção de resíduos da produção.
Cultura
 |
| Flávio Jaconis, SBU Coil coatings Brasil da Akzo Nobel Industrial Finishes |
No entanto, o crescimento dos pré-pintados no Brasil ainda não é um consenso. O gerente da Akzo Nobel Industrial Finishes, Flávio Jaconis afirma que não vê alterações nesse mercado para este ou os próximos anos. "A necessidade de altos investimentos em linhas de aplicação impedem o aparecimento de novos aplicadores. Além disso, tecnologias como as tintas em pó estão a posicionadas no mercado brasileiro, substituindo o pré-pintado em segmentos onde, em outros países, ele predomina". Apesar da participação da Akzo Nobel ter sido crescentes, desde que a empresa iniciou suas atividades nesse mercado, em 2003, Jaconis observa que esse setor não tem crescido a contento.
A diretor executivo da ICD Coatings, Gilberto Sabóia, lembra que a demanda tem aumentado e as margens de lucro diminuído, espremendo os resultados das empresas e dificultando novos investimentos.
"Este achatamento das margens se deve ao aumento em dólar das matérias-primas e às dificuldades dos clientes do mercado interno em absorve-lo, além de outros fatores, como aumento de carga tributária e pelos impostos trabalhistas". Para ele, o alto custo e a falta de matérias-primas no mundo desabasteceram o mercado em tecnologia UV, principalmente, e as estratégias para contornar o problema incluíram desde fortalecer alianças com fornecedores nacionais até busca de novos parceiros em outras partes do mundo, como Índia, China e Taiwan.
Expectativa
No entanto, alguns especialistas se demonstram um pouco mais otimistas em relação ao segmento.
"Apesar de, em 2004, a economia ter avançado um pouco, 2005 não promete muito crescimento. Mas o mercado de coil coatings está ainda muito pequeno em demanda comparado ai seu potencial, por isso acreditamos que deve crescer acima da economia", prevê Cala Maria de Abreu Vargas Torquato, gerente de produtos para Coil Coatings América do Sul da PPG.
O diretor industrial da Tekno S/A - Divisão Tintas, Airton Carrasco, vai ainda mais longe: "Entendo que este ano, em função do aumento da oferta, deveremos experimentar mais um crescimento acima do crescimento vegetativo, no setor industrial, principalmente, em função de mudança de cultura do mercado, que cada vez mais está se concentrado em sua atividade principal e assumindo a postura de montador, deixando os antigos processos de verticalização, onde a pintura era parte integrante de suas linhas de montagem. Nosso foco estratégico está em conscientizar o usuário potencial de que processos de pintura devem ser substituídos por materiais pré-pintados, que permitem seu crescimento sem riscos, perdas e problemas com meio ambiente. O segmento industrial ainda tem muito a crescer, principalmente em produtos de bens de consumo, com destaque para eletrodomésticos, eletroeletrônicos e equipamentos de informática".
Tecnologia
Investimentos têm sido feitos de forma constante em pesquisa em e desenvolvimento. Trabalhando com tecnologias globais e reconhecidamente de ponta, de acordo com Carla, a PPG dispõe de produtos top de linha que estão nas tecnologias PVDF, onde comercialmente trabalha com as marcas Duranar e Megaflon, as quais, além da aprovação do cliente necessita de uma qualificação de linha própria PPG e após, conjuntamente, dá-se uma garantia superior a 20 anos em exposição externa. "Em segundo lugar, termos, como é conhecido no mercado, o 'superpoliéster'. Esta é uma tecnologia bastante interessante do ponto de vista custo/beneficio, com alta performance para aplicação externa. E, por último, para a linha de appliance, a PPG já está apresentando ao mercado uma nova tecnologia de superior performance".
O foco da PPG está sempre em qualquer linha de produtos, na alta performance e tecnologia, de acordo com a gerente de produto. "Trabalhamos fortemente para que o mercado conheça nossos produtos e a performance dos mesmos. Por meio da experiência em desenvolvimento de mercados em que estamos presentes e mais maduros acreditamos que o grande diferencial do coil coating é a tecnologia empregada evitando 'guerras de preços' ou comparações diretas com outras tecnologias, como por exemplo, tinta em pó".
Os maiores avanços tecnológicos, na opinião de Airton Carrasco, da Tekno, têm sido nas tintas à base de poliéster saturado, onde produtos com altíssima resistência à degradação por raios UV têm sido colocados no mercado para o atendimento do segmento da construção civil. "Novos polímeros à base de flúor também vêm se destacado no mercado, quando se busca durabilidade e resistência química e mecânica. No segmento de eletrodomésticos, produtos à base de uretanos com alta dureza e flexibilidade também têm sido disponibilizados".