CSN quadruplica a oferta de aço pré-pintado no País


Francisca Stella Fagá

Cabines de pintura, os grandes gargalos das linhas de montagem de indústrias como a de eletrodomésticos e a automobilística, podem estar com os dias contados. Assim como já acontece com boa parte do parque produtivo de países como Estados Unidos e Coréia, o aço pré-pintado começa no Brasil a substituir o sistema tradicional de acabamento, com a entrada da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN nesse mercado.

Há dois meses, as primeiras bobinas de aço pré-pintado começaram a sair da nova fábrica da CSN em Araucária, no Paraná. Dentro de três meses, quando a unidade estiver operando a plena capacidade, a produção atingirá a marca de 100 mil toneladas por ano.

“Isso significa quadruplicar a produção nacional de aço pré-pintado”, afirma Márcio Lins, diretor de operação da CSN do Paraná. Atualmente, segundo ele, são produzidas 35 mil toneladas desse tipo de aço no Brasil, pelo Grupo Tekno .

Segundo Lins, o uso do aço pré-pintado disseminou-se rapidamente pelo mundo por causa da racionalidade, da eficácia e da redução de custos. “Foi em grande parte graças a ele que a Coréia conquistou o mercado mundial de microondas”, diz. “O pré-pintado permitiu um salto em competitividade”, avalia.

Os casos concretos analisados pela CSN no Brasil em empresas como a Multibrás e a Eletrolux , que já usam o aço pré-pintado em parte da produção, indicaram que a ampliação do uso poderá permitir redução de 15% dos custos. Isso sem contar o investimento nas cabines de pintura, que passam a ser dispensadas com o uso do aço pré-pintado. Ainda, como as chapas sofrem o pré-tratamento nas próprias siderúrgicas, tornam-se bem mais resistentes e a qualidade do acabamento é superior, diz.

A aposta da CSN é que esse mercado vai crescer explosivamente nos próximos anos no Brasil. Já em 2004 ela já deverá estar usando 90% de sua capacidade para atender os pedidos, estima Lins. E já há espaço para ampliar duas vezes a planta já instalada no Paraná.

Assim como a CSN, também a Akzo Nobel , líder mundial na produção de tinta para aço pré-pintado, aposta na expansão rápida desse mercado. Nas contas de José Manoel Sardo, diretor de tintas industriais da companhia na América do Sul, os Estados Unidos, com seus 170 milhões de habitantes, consomem por ano cinco milhões de toneladas de aço pré-pintado. O Brasil, com 170 milhões de habitantes, tem potencial para consumir 3,5 milhões de toneladas anuais, ou seja, dezenas de vezes mais que o nível atual de oferta, estima. Se crescer apenas 4 vezes, calcula, a CSN terá de triplicar a sua atual capacidade, que ainda nem entrou plenamente em operação.

“Será uma revolução no parque industrial brasileiro”, afirma Flávio Jaconis, gerente da área de tintas da Akzo que acompanhou passo a passo a implantação da unidade da CSN de Araucária e a instalação da célula de produção das tintas especiais para aço pré-pintado na unidade da Akzo Nobel em Guarulhos.

A Akzo investiu 3 milhões na implantação da nova célula, que tem capacidade para produzir tinta para revestir 110 mil toneladas de aço por ano.

A CSN estima inicialmente um mercado potencial no Brasil de 250 mil toneladas por ano. As principais aplicações do produto serão coberturas e tapamentos — para segmentos industriais, comerciais e residenciais: forros, portas, refrigeradores, aparelhos de ar condicionado, fogões, eletroeletrônicos e móveis.

DCI - COMÉRCIO INDÚSTRIA & SERVIÇOS - 05/11/2003